Serra : O Fim ou O Começo
Não escrevo sob o impacto da derrota de Serra. Já se passaram algumas horas do anúncio do resultado e eu já não esperava por reviravoltas, sobretudo na última semana. Mas que é doloroso, é. Quem não põe em dúvida a democracia em tal momento? Como esperar de povo iletrado e trazido anteontem da servidão no campo discernimento e poder de análise se a imprensa quando não se prostitui se acovarda?
Quando professores universitários vomitam suas tolices em canais ditos educativos e reproduzem em escala máxima outros professores incapazes de ler um parágrafo de um só fôlego (vejo todo dia na Letras da UFMG jovens professores da Prefeitura lerem palavra por palavra, se esta for “difícil” como peremptório, por ex, a leitura emperra) são pagos e tratados com deferência, não se espera resultado muito diverso do que tivemos hoje.
Após anos de Programa Silvio Santos, a primeira eleição em mais de vinte anos teve Collor como o escolhido pelos eleitores nutridos com esta dieta cultural. O desafio da dita oposição foi muito para sua força e em oito anos, tudo foi projetado para a campanha que se acredita no Brasil mágico, reveladora de mistérios para a massa adormecida e profissionais da propaganda, doutores em vender cerveja mas visivelmente virgens em leituras políticas são ungidos sacerdotes deste ritual. Esperavam o que?
Serra ao declamar a última estrofe do Hino Nacional me pareceu ter finalmente entendido do que se trata e pela primeira vez o vi tomado de ânimo de batalha e ele sabe que pode causar incômodos a este governo caso se empenhe. Seu futuro e o do País dependem do entendimento da natureza da Política como vocação belicosa e ele, repito, pareceu ter sido tocado pela realidade : a guerra é pra valer, e começa neste instante.