Uma proposta do FERNANDO PAWWLOW-CADERNOS para o caso Yoani Sánchez

Com visita da presidente Dilma Rousseff agendada para Cuba, a decisão do Governo Federal de conceder visto para a blogueira Yoani Sánchez se torna o assunto obrigatório e imperioso de quem quer que se interesse por liberdade de expressão e política, no Brasil. Não há como ter interesse ainda que mínimo (isto significa interesse por assuntos de Estado subordinados a espaços na mente disponíveis depois de especulações sobre o próximo paredão do Big Brother Brasil 12) nestes tópicos e não ansiar por uma solução para os tormentos da blogueira, e do regime que ela denuncia e que a acusa de agir sob inspiração do “imperialismo ianque”. O regime cubano deve também ser contemplado nas decisões que, espera-se, surjam da visita presidencial à “Ilha”, como carinhosamente esquerdistas brasileiros se referem ao país que recebe de seus críticos a alcunha de “Ilha Presídio”. Não haveria justiça sem tal consideração.

Este blogue (sob a direção e inspiração de seu redator-chefe, Fernando Pawwlow) apresenta para a discussão diplomática uma proposta que contempla a blogueira, ansiosa por se livrar (pura ingratidão de jovem intoxicada por propaganda imperialista) do “sonho “, e também o governo cubano que deseja se livrar de “agentes sabotadores do governo norte-americano”. Proposta, como se pode concluir, imparcial e repleta de ideais humanitários, que apenas os mais rancorosos e paranoicos qualificariam como reacionária, ou cínica, “digna de leitor da ‘Veja’”.

FERNANDO PAWWLOW-CADERNOS propõe uma troca: vem a blogueira e vão para Cuba: professores universitários, compositores, cantores, atores, autores de novelas, diretores de TV, cartunistas beneficiários do que se chama de “bolsa ditadura”, sindicalistas, ex-jornalistas convertidos em blogueiros subsidiados clamando por Lei de Controle da Imprensa (vulgo Controle Social da mídia), padres da Teologia de Esvaziamento das Igrejas (vulgo Teologia da Libertação), e tantos outros etc.

A fauna da qual a “Disneylândia das Esquerdas” (expressão de autoria de Sérgio Augusto, parece) poderia dispor para levar adiante sua “experiência” seria, como se pode observar, quase ilimitada. Seriam milhares de mentes dispostas a lutar pelo que afirmam ser o “novo modelo”. E braços, para trabalhar nas inúmeras frentes obreiras. Quem não se enleva imaginando ilustres frequentadores de whiskerias do Leblon cortando cana, erguendo conjuntos habitacionais (futura habitação dos próprios, diga-se)?

Quem sinceramente não vai às lágrimas imaginando notórios ex-jornalistas ajudando a redigir o “ Granma” com o salário usualmente pago aos redatores, sem quaisquer acréscimos ou incentivos de “bons burgueses”? Teriam que renunciar ao hábito de difamar colegas (lá chamados “companheiros”) e aos salários recebidos em emissoras capitalistas, mas o homem não se adapta a tudo? Qual sacrifício seria excessivo para se combater o PIG?

A gravadora estatal Egrem talvez não remunere tão generosamente como as multinacionais imperialistas, mas não acredito que tal fato iniba o ânimo revolucionário dos simpatizantes canoros da “Ilha”, os quais ainda não se mudaram para o “Território livre da América” por estarem, todos, à espera de uma oportunidade como a que se apresenta: auxiliar o regime cubano em troca que o livrará de “agentes do Imperialismo”. Pablo Milanés e Silvio Rodríguez teriam parceiros, desta vez um tanto compulsórios, mas permanentes, para duetos de louvor “à luta” e de denúncias “às infâmias dos ianques”.

Cineastas, atores, atrizes e diretores de TV encontrariam ocasião para abandonar a TV dos “patrões “ e se libertar da obrigação de “fazer o jogo sujo dos poderosos” com a troca que este blogue propõe. Seria chance, talvez única, de “vivenciar o sonho de uma sociedade sem mais opressão”, com “outros valores, com respeito e cidadania”. A Televisión Cubana não os rejeitaria, talvez não pague o que a Globo paga, mas quanto custa um sonho?

São inúmeros os recursos humanos que o Brasil tem a oferecer, em todos os setores (todos os enumerados no início deste texto mais alguns) para que tal negociação prospere.

Que outros blogues e articulistas do PIG também ofereçam sugestões para que a Presidente Dilma não vá a Cuba sem qualquer proposta para o Caso Yoani Sánchez.

Fernando Pawwlow

Jornalista e autor brasileiro, tendo sua produção escrita marcada por uma postura crítica e cética em relação ao cenário político, arte, cultura e formadores de opinião.