Os inimigos que a casta acadêmica pediu aos deuses
Talvez não haja pedido de socorro mais convincente que pedir a Deus, além das forças para combater, inimigos incompetentes, desastrados, ridículos e que se acreditem competentes, habilidosos e charmosos, carismáticos. Voltaire afirmou ter sido este (contar com inimigos ridículos) um seu desejo.
A casta acadêmica custou a encontrar um intelectual independente que a confrontasse, que a expusesse ridícula e detentora indevida de Poder : Olavo de Carvalho. Os textos publicados em jornais e dispostos na coletânea “O Imbecil Coletivo”mostraram que os tempos do Poder sem questionamentos do clero acadêmico estavam por terminar. E o resultado foi o autor ter se tornado, desde então, o Inimigo Primordial da casta acadêmica e dos seus braços na Imprensa e no mundo dos espetáculos.
Muitos entre os tantos milhares de leitores passaram a considerar-se também habilitados a combater; decerto alguns o eram de fato. Mas outros tantos… e o resultado tem sido este: a casta acadêmica tem se fortalecido dia a dia apenas com os inimigos que possui. Pois estes são um presente dos céus: tolos, inconsequentes, presunçosos e analfabetos funcionais. Os inimigos que a casta acadêmica pediu aos deuses.
Tive mais uma prova disto a semana passada: comentei no perfil de Sarah Winter no Instagram em postagem que exibia personagens de desenho animado rindo de livro feminista. Morrendo de rir. Rindo de se dobrar. Como se um movimento que contasse com dinheiro e presença na casta acadêmica e nos seus braços da Imprensa pudesse ser tomado como piada, como anedota estúpida. E cometi a estupidez de recriminar este riso. Por que fui socar a caixa de marimbondo, hein? Fui chamado de “gado”, “cow” e recebi diversas respostas que me tomavam como um defensor do feminismo, ou como um comentarista apontou, um “isentão”. Dois comentaristas apenas compreenderam o que escrevi. Dois.
Gente que se considera pronta a derrubar o Poder da casta acadêmica e é incapaz de compreender um comentário óbvio, sem nada de rebuscado, erudito ou esotérico. Mas que se apresenta aos ringues das caixas de comentários, que se entende como intelectual, e parte dos escolhidos a instaurar no Poder, uma vez derrubada a casta acadêmica, a “Alta Cultura”. “Alta Cultura” de terraplanismo e de “denúncias” sobre autoria de canções dos Beatles por Theodor Adorno baseadas em comentário ligeiro de Olavo de Carvalho. Os intelectuais incapazes de decifrar um rol de roupa suja prontificando-se a derrubar a casta dos Doutores e Pós-Doutores mais o clero de Mestres e universitários aspirantes ao Clero.
Não, não digo que a Esquerda não disponha de pelotões de analfabetos funcionais. Claro que dispõe. Mas toma o cuidado de mantê-los como MAVs sem maior expressão, ou mesmo identidade personalizada. Toma o cuidado de manter seus iletrados em funções próprias: pichar muros, dar esbarrões em transeuntes suspeitos de antipatia nas vizinhanças de seus comícios, berrar em cima de caminhões (e mesmo assim, seleciona melhor que a Direita seus Cíceros de trio elétrico). Nenhum vira estrela de caixas de comentários com nome e foto, ou blogueiro de prestígio, ou ministrador de cursos…
Como? Você, Pawwlow, sugere que tem visto comícios de esquerdistas com oradores brilhantes?
Não, não digo “brilhantes”, mas competentes em suas arengas e hábeis em citar números e, sobretudo, mencionar as proezas que os inimigos exibem na internet como prova de que, sem eles, cairemos de vez no reino da barbárie. Fui testemunha disto em um destes comícios na Pça Sete, semana passada.A oradora mencionava terraplanistas e outras demonstrações dos “Inimigos da Educação”. Muitos dos que se irritaram com mais uma paralisação do trânsito sorriam ao ouvir. Claro que o espírito se vai preparando assim, com constância e cuidado em apontar ao público as bobagens do plano antagônico.
Lembrei do tempo em que colaborava no “247”. Poucos comentaristas me insultavam pelo que eu não havia escrito; muitos entendiam e tratavam de me desqualificar, mas mostravam ter entendido, e bem, o que eu escrevera. O blog cresceu em visitas quando exposto ao público do site. Idem quando os textos do meu blog eram publicados na “Tribuna da Internet”. As críticas eram pertinentes. Quem atacava o conteúdo parecia saber o que dizia, discordava do que mostrava haver entendido. Sem falar da republicação em blogs que replicavam estes sites. Blogs de Esquerda, sim? Já na Direita…fui atacado por algo que nada tinha a ver com o que eu havia escrito.
Mas na verdade este episódio na caixa de comentários da Sarah Winter confirmou o que eu experimentara sempre que mostrei meus textos aos membros desta família espiritual, destes inimigos da casta acadêmica. Raros entendiam o que eu de fato havia escrito. Divulgar e replicar? Hoje entendo meu blog nunca ter sido replicado e divulgado por gente deste meio. Não republicariam ou divulgariam o que não conseguem entender nas suas mentes viciadas na dieta de palavrões como mostra de virilidade política, trocadilhos ginasianos e simplismos de leitores de verbetes do Google.
Não sou vidente e desprezo quem escreve diante de bola de cristal, mas arrisco um palpite: dependendo das amostras que a Internet oferece, a casta acadêmica e seus braços políticos partidários, na Imprensa e no mundo dos espetáculos nada precisam temer no curto, médio e longo prazos; inexiste ameaça real onde pessoas não conseguem entender o mínimo, o óbvio, a mais simples mensagem. Para este público, ditos de parachoques de caminhão e reclames de porta de sanitários públicos são pedantismos intelectualóides advindos da “Escola de Frankfurt”, dos discípulos aplicados de Antonio Gramsci e dos que não descansam até cumprir o que está prescrito no “Decálogo de Lênin”.
Sim, amigos. Estamos fritos, cozidos e assados. A casta acadêmica vencerá sem muito esforço esta parada. E talvez nem comemore muito, algo surpresa de ter sido tão fácil. Tiveram seu susto com o tal de Olavo de Carvalho, mas…olha a cobra….já passou… há há
Quanto a nós…haverá outra chance?