Sobre Jair Bolsonaro na ONU
Helio Fernandes advertiu dias atrás, em seu blog, sobre “fuga” que Jair Bolsonaro empreenderia quando fosse discursar na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU); na hora do discurso pretextaria seu estado de saúde abalado e transmitiria a missão para algum orador da comitiva. Decerto foram as mesmas fontes que avisaram ao mais antigo jornalista em atividade no Brasil (talvez do Mundo) que as comitivas de alguns países se retirariam em protesto logo Bolsonaro ocupasse a tribuna. Não houve nem “a fuga do vexame”nem o protesto das delegações.
(A retirada em protesto da delegação cubana não me parece comprovação do que fora previsto pelo jornalista, posto que efetuada apenas depois das críticas ao programa “Mais Médicos” e não como protesto contra posições anteriores de Bolsonaro.)
Houve um Presidente dizendo ao Mundo o que encontrou quando assumiu o Poder e quais forças apresentam-se como suas antagonistas e o que estas forças fizeram e pretendem continuar fazendo. Claro que poderia ter enumerado escândalos no lugar de adjetivar seus antecessores, mostrar como estavam alguns fundos de pensão, por exemplo. Ou as leis contra o cidadão comum e favoráveis aos criminosos que foram implementadas nestes governos, etc.
Foi o discurso dos sonhos? Não. Penso que Bolsonaro abusou do termo “socialistas” o qual me parece vago e inexato. Talvez enumerar os países e seus feitos seria mais perfurante. Recitar os números da generosidade governamental brasileira com estes regimes (em parte este esclarecimento foi feito – e muito bem feito, diga-se – quando Bolsonaro explicou o programa dos médicos cubanos) também.
Falar em “Ideologia” quando deveria falar “propaganda ideológica” também me pareceu ineficaz, mesmo porque exemplos que substituiriam com folga estas adjetivações não faltam nas questões relativas à Educação e policiamento de linguagem nos meios de comunicação de massa. Há como demonstrar o que as discussões públicas perderam em autenticidade e avanço democrático sob o jugo da casta acadêmica. Ao adjetivar, abre-se espaço para réplicas fáceis.
Mas ainda assim foi histórico um Presidente de um país sul-americano falar sob holofotes do Mundo e diante de Chefes de Estado europeus que a Amazônia é nossa e não de uma suposta comunidade de nações zelosas “pelo Futuro das Próximas Gerações”. Hipocrisia escrever que não diverte assistir delegações da França e da Alemanha (com a própria Angela Merkel) serem apresentadas à diferença entre o que resta de área preservada em seus países e no Brasil.
E a fala, para mim irretocável e já merecedora de registro nos livros de História, sobre povos indígenas e as pressões para demarcações de terras que abrigam riquezas incalculáveis. Era preciso um político outsider para dizer o óbvio interdito: muitas das lideranças indígenas do agrado da casta acadêmica e dos meios de comunicação do Mundo inteiro servem ao Globalismo, daí a promoção que recebem da casta acadêmica e dos meios de comunicação de massa do Mundo inteiro. Simples assim. Óbvio assim.
Foi necessário que o Mundo fosse apresentado ao “Foro de São Paulo”, embora eu, repito, duvide da eficácia da adjetivação. Enumeração ligeira dos feitos do Foro serviria mais ao propósito de apresentar ao Mundo o Poder que países da América Latina tiveram que suportar e de onde vem muito da Oposição que governos que sucedem aos governos filiados ao Foro enfrentam.
Lembrar, quando não mostrar, o apoio que partidos do esquema de Poder do PT e associados continuam a dar ao Governo Maduro serviria mais que declamar, uma vez mais, sobre “socialismo” e “governos socialistas”. Gritar esta denúncia sempre que a oportunidade se apresentar é obrigação.
Bolsonaro fez as coisas ao seu modo e não ao modo de qualquer crítico, e sobre o que ele falou e da maneira que ele falou que os textos sobre este dia memorável devem tratar. Como as coisas deveriam ter sido feitas ….ora…deixemos aos que produzem textos pseudo. Eles ocupam-se disto apenas, não? Da leitura do teleprompter e da dicção de Bolsonaro. Da alegada “falta de elegância” (sim, há “árbitros de estilo” escrevendo sobre Política) ao falar pausado “de quem está lendo, he he!” de um convalescente de uma cirurgia que buscou reparar os frutos de um atentado.
Atentado este mencionado pelo orador. Bom…eu mencionaria as piadas de internet e mesmo artigos que lamentaram que Bolsonaro não tivesse morrido ali mesmo na Rua Halfeld. Os apelidos como “Bolsa de Bosta” tolerados em sites e blogs, as piadas com seus familiares, as caricaturas e memes latrinários; a sordidez deste momento não pode ser relativizada e dirigida ao depósito de lixo “das coisas que não valem a pena ser lembradas”. Não! Fosse com algum candidato do agrado da casta acadêmica, e portanto dos meios de comunicação, toda esta enxurrada das galerias subterrâneas seria pauta perpétua. Não se poderia esquecer. Eles, estes operários da Esquerda de matriz acadêmica, estão no Poder porque compreendem que a História é simbólica, dramática.
Quando se chegará a esta consciência entre os que desejam combater este complexo de forças?
Jair Bolsonaro rompeu o tom servil dos que temem desagradar aos “ricos e famosos” da passarela política mundial. Tem, e sabe que tem, contra si: a Academia (casta acadêmica), a Imprensa e os Políticos que desejam o Poder pelo Poder, ainda que bocados mesquinhos de Poder. Estes, os políticos convencionais, acreditam mesmo que com uma possível queda de Bolsonaro eles terão alguma mínima chance, algum mínimo bocado do que se pode considerar com rigor o Poder.
Jornalistas colonizados (que acusam Bolsonaro de colonizado por ele buscar aliança com o inimigo maior de seus inimigos) apressaram-se em realizar cobertura deste dia histórico que de jornalística teve muito pouco. Não parecem preocupados com credibilidade, seguros que têm contra si alguns amadores que, de fato, confirmam suas críticas sobre mídias alternativas.
Mas as massas que resolveram conferir com os olhos e ouvidos “o vexame”, “o fiasco” viram e ouviram onde está “o vexame” e “o fiasco” desta abertura da Assembleia Geral da ONU por Jair Bolsonaro: na Imprensa e nos formadores de opinião da casta acadêmica. E as próximas gerações saberão a quem cobrar este espetáculo de mentalidade colonial.