A visita do Companheiro Obama

O que restou da visita de Barack Obama, além do deslumbre usual de jornalistas quando estrangeiros ilustres resolvem nos visitar?

Chefes de ONGs tiveram frustrados seus sonhos de pegar o Presidente Negro pelo braço e mostrar o “PROJETO SO- CI – AAAAAL” que comandam desinteressadamente e militantes das mais diversas agremiações viram o visitante via TV GLOBO apenas. “Sem maiores intimidades ideológicas ou de cunho ancestral”, foi a mensagem que se fixou em seus corações após tantos anúncios da Vinda – ninguém que não fosse estritamente indispensável pôde se aproximar, e os contemplados talvez nem mesmo tenham sonhado com este momento, como alguns dos políticos que hoje cercam a Presidente (não, eu não escreverei PresidentA).

Algo parecido ocorreu quando os Rolling Stones tocaram em Copacabana em show “gratuito” – quantos deixaram seus estados, dormiram na praia embalados pela corrida noturna das ratazanas, na esperança de ver de perto Mick Jagger e Keith Richards e tiveram que contemplá-los nos telões (já que a vigília noturna se mostrou inútil, pois a Prefeitura reservou o espaço próximo ao palco às celebridades nativas)?

Penso ser este o destino natural dos divagadores, e o Brasil é repleto de divagadores incorrigíveis, pessoas nutridas na dieta dos devaneios que golpes ásperos e velozes da realidade não conseguem interromper. Ainda sonha-se com as visitas de anjos noturnos.

Fernando Pawwlow

Jornalista e autor brasileiro, tendo sua produção escrita marcada por uma postura crítica e cética em relação ao cenário político, arte, cultura e formadores de opinião.